apocalipse em dezembro, subfamilias fingem ser sem teto, só pra ganhar doações
Assim que a folhinha d o calendário vira e dezembro chega, famílias que moram em apartamentos na periferia de São Paulo deixam seus lares para morar um mês na rua, como se fossem sem-teto. O lugar escolhido é o Glicério, no centro. A região é conhecida por altos índices de criminalidade e de uso de drogas, mas é estratégica durante o Natal. “Todo ano, quando terminam as aulas das crianças, a gente vem para aqui para ganhar presentes e outras doações”, diz a dona de casa Silvia Ferreira Andrade, 38. Ela e ao menos outras cinco famílias passam um mês a 25 km do conjunto Cingapura, onde moram em São Mateus (zona leste), atraídas pela onda de solidariedade típica desta época do ano. Outra família veio de Ferraz de Vasconcelos, na Grande SP. “Os carros passam aqui, deixam brinquedos para nossos filhos, dão marmitex. Outros pegam medidas para trazer roupas depois. Fazemos isso porque não temos dinheiro para comprar essas coisas. É nossa única opção.” Silvia está acampada com os ...